O que distingue o Judo das restantes modalidades tradicionais utilizadas comummente na Educação Física, mais direcionadas para atividades coletivas, de oposição indireta, é o facto de ser uma modalidade individual de oposição direta; esta característica é categórica quanto ao seu valor pedagógico, visto que a sua origem é essencialmente educativa. Neste sentido, o Judo deve ser encarado, numa abordagem educativa, como um meio para a formação motora e como um fim para a formação cultural. Em termos de capacidades físicas, permite um trabalho motivador para o professor e para o aluno, estimulando o conhecimento do próprio corpo, da lateralidade e uma noção clara de autoconceito. O Judo é, precisamente, uma modalidade natural e espontânea, propiciando um contacto corporal salutar e edificante do “eu”. Por outro lado, possibilita, ainda, ao Judoca, a libertação direta de impulsos agressivos, mais ou menos inatos, conduzindo a uma regulamentação sócio afetiva. A relação com o outro quebra, assim, a noção de exclusividade do espaço, fomentando o autoconceito, a autoestima e o respeito pelo próximo.

O Judo encerra valores como a coragem, a sinceridade, o autocontrolo, a honra, a amizade, o respeito, a honestidade e traz benefícios vários, tais como a concentração, uma elevada autoestima, a cooperação, a disciplina, o aumento do rendimento escolar, a preparação para a vida futura e um consequente aumento das capacidades psico-motoras, cognitivas e sócio afetivas. Os objetivos gerais traçados por esta modalidade desportiva de excelência são o facto inegável de contribuir para a melhoria da qualidade de vida, promovendo sinergia e integração social entre a família, a escola e a comunidade. O Judo incentiva hábitos de vida saudável, excluiu o preconceito através de atividades lúdico-desportivas e proporciona um desenvolvimento cognitivo, psicomotor e sócio afetivo. Para além disto tudo, o Judo combate as desigualdades, a negligência, os comportamentos desviantes e o abandono escolar e luta contra o isolamento e o desajustamento social.

O Judo garante benefícios evidentes nos planos físico, psíquico e social dos atletas, permitindo uma integração progressiva e dinâmica do “eu”. Recomendado pela UNESCO como um dos desportos mais adequados para crianças e jovens, o Judo faz-se acompanhar de vantagens inquestionáveis, tais como o impulsionamento de habilidades e capacidades específicas do aluno, a preparação para uma convivência social equilibrada e a consequente introdução na vida profissional, o estímulo do interesse pela competição sadia, bem como a fermentação do indivíduo como um todo. Desta forma, o Judo traz mais-valias não só ao nível da preparação técnica dos alunos, mas de acordo com uma dialética pedagógica fortemente moldada a cada um. A prática regular do Judo contribui, vincadamente, para o controlo muscular, o aperfeiçoamento do reflexo, o desenvolvimento cognitivo e metafísico, o equilíbrio mental, bem como o reforço do caráter e da moral. Esta modalidade irá fortalecer a autoconfiança e a autoestima dos atletas, garantindo o respeito pelo próximo. Enquanto modalidade, encerra em si o cuidado do físico e do caráter, a disciplina, o equilíbrio mental e a humildade numa esfera multifacetada que gera cidadãos com competências cívicas, úteis à sociedade.

Logo, o Judo é uma excelente escola para o incremento da atenção, concentração e reflexão mental, aprimorando a noção de respeito por si mesmo e pelo próximo. Esta atividade de exceção irá estreitar relações e atenuar comportamentos eventualmente mais agressivos. O Judo será o veículo para uma postura de tranquilidade e autocontrolo, possibilitando a expressão da agressividade através do próprio corpo, auxiliando o equilíbrio diário da personalidade. A sua prática promove o respeito, a cortesia e a amabilidade, sendo a saudação o expoente mais elevado das virtudes sociais. No tatami, o respeito e cortesia pelo oponente distingue os grandes vencedores. As valências de tenacidade, esforço, cortesia, igualdade de espírito na vitória e na derrota, que encontramos no dojo, contribuem amplamente para a criação de valores e para uma inclusão coesa. O Judo tem uma identidade própria, com valores, normas e símbolos que o distinguem no quadro da dinâmica cultural de outras modalidades, sendo uma atividade de valor educativo inegável. Neste sentido, o Judo é a plataforma que ajuda os alunos a sentirem-se bem na sua vida quotidiana, a viverem em harmonia no ambiente que os rodeia, a serem cidadãos plenos.

A cortesia no Judo

Desde o início, o professor de Judo ensina o praticante a respeitar todo o cerimonial envolvente, a tornar-se mais paciente, atento e concentrado. No dojo, a cortesia revela-se em ínfimos pormenores, desde a saudação até à entreajuda na aprendizagem, na competição, ou no respeito pelo adversário, tornando o Judoca leal e reforçando o espírito desportivo. Este código de elevado ideal influenciou, durante muito tempo, o espírito dos nobres samurais e tem ensinado aos Judocas as suas virtudes cavalheirescas. Com o auxílio do Mestre, o Judoca adquire habilidade e perícia, através da repetição contínua das técnicas, aprendendo a não desistir e tornando-se exímio na execução técnica, procurando progredir de forma constante. O atleta lima as suas arestas, melhorando a sua força mental e a capacidade de superação, através de uma motivação interior que o conduz na sua caminhada. O resultado do esforço, dedicação e espírito de sacrifício proporciona o incremento de capacidades motoras e uma maior eficácia no tatami.

Os primeiros dados documentados registados do Judo em Portugal datam da primeira década do séc. XX, quando, a bordo de um navio da marinha nipónica, ancorado no Tejo, os oficiais japoneses fizeram uma demonstração aos visitantes portugueses. Numa primeira instância, a iniciativa foi bem acolhida e o Judo foi aceite com sucesso na capital portuguesa. Posteriormente, o Judo foi timidamente difundido pelo país.

A modalidade adquiriu, todavia, uma expressão mais vincada aquando da introdução do ensino de técnicas de defesa pessoal na Polícia Cívica do Porto, em 1936. A publicação de bibliografia referente ao tema e a criação da Academia de Budo, em 1956, fundada por António Correia Pereira, o primeiro cinturão negro português reconhecido pelo Kodokan, contribuíram para a promoção do Judo em Portugal.

Mestre António Correia Pereira, primeiro cinturão negro reconhecido pelo Kodokan

Em 1955, os Mestres Henri Bouchend Homme e Anthony Stryker criaram uma parceria, surgindo a oportunidade de formar um clube de Judo, a 12 de Julho de 1957, o Judo Clube de Portugal. Três anos mais tarde, em 1958, Kiyoshi Kobayashi, considerado por muitos como o pai do Judo português, chegou, finalmente, a Portugal, revolucionando consideravelmente o panorama do Judo no nosso país, até aos dias de hoje (Kiyoshi Kobayashi faleceu recentemente, em 2013). Lecionando em vários clubes, partilhou, incansavelmente, o seu conhecimento técnico, incutiu uma disciplina de treino regular, implementou novas metodologias e homogeneizou o panorama técnico nacional. Ele foi o Mestre de algumas das figuras mais relevantes da história do Judo português, nomeadamente, José Manuel Bastos Nunes, o Judoca português mais graduado de sempre (8º dan). Kobayashi desempenhou ainda um papel decisivo na criação da Federação Portuguesa de Judo, a 28 de Outubro de 1959, tornando-se seu membro honorário e trabalhando como selecionador nacional. Por todos estes motivos, Kobayashi é atualmente considerado uma das figuras mais emblemáticas da história do Judo nacional.

Mestre Kiyoshi Kobayashi, o pai do Judo Português

Em 1961, a FPJ tornou-se membro efetivo da União Europeia de Judo e, em 1964, Fernando Costa Matos defendeu as cores nacionais nas Olimpíadas de Tóquio, onde o Judo, pela primeira vez, fez parte do quadro das modalidades praticadas. Também a Revolução dos Cravos, a 25 de Abril, de 1974, influenciou, sobremaneira, o panorama do Judo nacional. A democratização do tecido nacional português, a introdução de novas políticas desportivas e a reorganização do funcionamento da FPJ, com a descentralização das atividades ligadas ao Judo e a criação das associações distritais, foram, provavelmente, os principais fatores que mais contribuíram para o crescimento do Judo nacional.

Nos anos 80, a importância do Judo adensou-se e atletas como Hugo Assunção, António Roquete de Andrade e João Paulo Mendonça marcaram presença assídua nos campeonatos da Europa e nos Jogos Olímpicos. Mas foi apenas na década de 90 que o Judo português começou a conquistar medalhas nos torneios de maior relevo a nível internacional. Atletas como Pedro Soares, Filipa Cavalleri, Pedro Caravana, Michel Almeida e Paula Saldanha garantiram medalhas nos campeonatos Europeus e presença nos Jogos Olímpicos.

Na década de 2000, Nuno Delgado consagrou-se com a primeira medalha Olímpica no Judo, a medalha de bronze, adicionando várias outras ao seu currículo, entre elas a de campeão e vice-campeão europeu. Por sua vez, a emblemática Telma Monteiro arrecadou a medalha de prata nos campeonatos do mundo e a medalha de ouro nos campeonatos da Europa, imprimindo um novo estatuto na falange feminina do Judo. João Pina e João Neto conquistaram, igualmente, a medalha de ouro nesta prova. Portugal passou, então, a receber algumas das grandes provas do circuito internacional, tais como a Taça do Mundo Feminina Lisboa 2007, o Campeonato da Europa de Seniores Lisboa 2008 e a Taça do Mundo Lisboa 2010, afirmando, assim, a envergadura da modalidade.

A inquestionável importância do Judo no campo educativo tem sido veiculada, cada vez mais, pelos atletas federados que têm transmitido, com confiança e motivação, as suas mais-valias e benefícios associados. Após uma credibilização crescente do Judo em Portugal e uma consequente aposta na sua divulgação, esta modalidade desportiva tem sido introduzida em Clubes de Judo, em escolas privadas e, mais acanhadamente, no ensino público. Esta tentativa de conciliar o Judo com as escolas públicas em Portugal tem constituído uma empresa morosa, com algumas burocracias e impedimentos, tais como o desconhecimento da atividade em si e das suas inerentes vantagens para os alunos, as mentalidades retrógradas face à aceitação de um desporto de luta, ou a falta de espaço indispensável à sua prática. No entanto, esta modalidade tem vindo a desbravar caminho e tem vindo a lutar para se impor nos agrupamentos de escolas, tem batido à porta das escolas, convidando os alunos a serem Judocas.

1 - Conhecer-se é dominar-se e dominar-se é triunfar;

2 - Quem teme perder já está vencido;

3 -Somente aproxima da perfeição quem procura com constância, sabedoria e, sobretudo, humildade;

4 - Quando verificares, com tristeza, que nada sabes, terás feito o teu primeiro progresso no aprendizado;

5 - Nunca te orgulhes de ter vencido um adversário, o que vencestes hoje, poderá derrotar-te amanhã, a única vitória que perdura é a que se conquista sobre a própria ignorância;

6 - O Judoca não se aperfeiçoa para lutar, luta para se aperfeiçoar;

7 - O Judoca é o que possui inteligência para compreender aquilo o que lhe ensinam e paciência para ensinar o que aprendeu aos seus semelhantes;

8 - Saber cada dia um pouco mais, utilizando o saber para o bem é o caminho do verdadeiro Judoca;

9 - Praticar o Judo é educar a mente a pensar com velocidade e exatidão, bem como o corpo a obedecer com justeza; o corpo é uma arma cuja eficiência depende da precisão com que se usa a inteligência.

As duas máximas que regem o Judo são: Seiryoku Zen’Yo (精力善用) – máxima eficiência e técnica com o mínimo esforço, na qual qualquer indivíduo, por meio das suas habilidades e técnicas, pode compensar o tamanho e força do adversário, e Jita Kyoei (自他共栄), – o princípio da prosperidade e benefícios mútuos, em que o desenvolvimento pessoal depende da ajuda do próximo e do auxílio mútuo; só assim nos tornamos seres humanos melhores e completos. Todavia, Jigoro Kano trabalhou todo um conjunto de máximas que orientavam o seu pensamento e a sua perspetiva relativamente ao Judo.

Máximas de Jigoro Kano:

  • É somente através da ajuda mútua e das concessões recíprocas que um organismo, agrupando indivíduos em número grande ou pequeno, pode encontrar a sua harmonia plena e realizar verdadeiros progressos.
  • Vencer o hábito de usar a força contra a força é uma das coisas mais difíceis do treinamento do Judo. Caso não se consiga isto, não se pode esperar progresso.
  • A simplicidade é a chave de toda a arte superior, da vida e do Judo.
  • Subtileza na técnica e finura na estética são úteis para a eficácia da arte, mas escapam a qualquer descrição.
  • A derrota na competição e no treinamento não deve ser uma fonte de desânimo ou de desespero. É sinal da necessidade de uma prática maior e de esforços redobrados.
  • Se é, por vezes, permitido ter excesso de zelo, isto sempre acaba por tornar-se uma fonte de perigo.
  • Os kata (forma) são a estética do Judo. É nos kata que está o espírito do Judo, sem o qual é impossível perceber o objetivo.
  • Será que existe um princípio que realmente se aplique a todos os casos? Sim, existe um: é o princípio da eficácia máxima na utilização do espírito e do corpo. Dei a este princípio, de uma generalidade absoluta, o nome de Judo.
  • O Judo ultrapassou o estágio primitivo da utilidade para atingir o de uma ciência e de uma arte.
  • A estabilidade (ou uma calma inabalável) é um fator importante numa luta de Judo. Seria ainda mais importante caso se tratasse de uma luta de vida ou morte.
  • A questão principal é elevar-se acima do problema da vida e da morte, da sensação de temor e de apreensão.
  • O Judo deve existir para o benefício do homem e não o homem para o Judo (competição).
  • Em qualquer espécie de treinamento, o ponto mais importante é libertar-se dos maus hábitos.
  • A ideia de considerar os outros como inimigos só pode ser loucura e fonte de regressão.
  • O Judo deve ser mantido acima de toda a escravidão artificial. As novas invenções devem tornar-se conhecimentos comuns.
  • O Judo é uma arte e uma ciência. Ele deve ser mantido acima de toda a escravidão artificial e deve ser livre de qualquer influência financeira, comercial e pessoal.
  • O valor de uma coisa depende da maneira como a abordamos mentalmente e não da coisa em si.
  • O alto valor da habilidade e da qualidade da arte só pode ser obtido elevando-se acima da dualidade da competição.
  • O Judo não deve ser revestido por um rótulo nacional, racial, político, pessoal ou sectário.
  • Quando se percebe a potência do Judo, compreende-se que não se pode usá-lo levianamente, pois ele pode ser tão perigoso quanto uma espada desembainhada.
  • O melhor uso que se pode fazer de uma espada é não utilizá-la; o pior, servir-se dela.
  • Ambição e rivalidade, cuidadosamente dosadas, são os estimulantes do progresso. Porém, em quantidade excessiva, transformam-se em venenos destrutivos.
  • À medida que se progride no estudo do Judo, o sentido de confiança em si mesmo, base do equilíbrio mental, desenvolve-se.
  • A habilidade é função de um ato inconsciente automático. O controlo consciente de todos os fatores é impossível, pois uma entrada só é possível num espaço de tempo igual ao de um raio.
  • As fontes estimulantes da ação são o instinto criador e o espírito de aventura.
  • A situação do mundo e dos assuntos humanos, atualmente, assemelham-se muito à dos principiantes sobre a esteira de Judo.
  • A saída de vida depende do jogo harmonioso dos nossos instintos.
  • Os nossos braços são ouvidos pelo deslocamento do corpo do adversário, como se dele fizesse parte.
  • Tender à perfeição é o princípio do treinamento de Judo.
  • A respeito das aparências, “eu” e “mim” são os fatores mais negligenciados no pensamento humano.
  • Cada ação do corpo é tão importante quanto um elo numa corrente.
  • Sem uma clara compreensão do sentido do movimento, não se podem esperar progressos reais.
  • O conhecimento do corpo, para ser eficaz, não é necessariamente o alto conhecimento científico do engenheiro, mas sim aquele prático do operário.
  • Devemos lembrar-nos que a essência do desporto não está na marca ou do score, mas nos esforços e na habilidade despendidos para atingi-los.
  • A maneira de treinar depende de uma ação consciente, mas o objetivo do treinamento é conseguir o domínio da técnica, o que é inconsciente.
  • A dualidade é a condição da vida. Sem opostos nem contrastes, a vida não é vida.
  • O Judo pode ser considerado como uma arte, ou uma filosofia do equilíbrio, bem como um meio para cultivar o sentido e o estado de equilíbrio.
  • O adversário é um parceiro necessário ao progresso; a vida da humanidade baseia-se neste princípio.
  • Não se envergonhe por causa de um erro; estaria cometendo uma falta. (Arpin, Livro de Judo no solo, 1971, p.21-24).

 

 

As máximas de Jigoro-Kano são um fio condutor que acompanha o Judoca no seu caminho do conhecimento; são elas que delineiam a sua conduta e que alimentam a sua flexibilidade de espírito, espelhando-se no desenvolvimento físico, na eficiência em combate e na progressão mental. Através do treino de técnicas de ataque e de defesa, os Judocas não só ganham agilidade mental e física, como adquirem, igualmente, flexibilidade de corpo e de mente.

 

O Judo (judo 柔道 - caminho suave) tem vindo a fascinar o mundo, tem vindo a despertar mentes e a criar atletas com uma filosofia que transcende o dojo, em si; ele é o ADN do próprio Judoca, a sua identidade. Este fascinante desporto de combate abrange ambos os sexos e pode ser praticado dos quatro aos cem anos de idade, com as devidas precauções, consoante a especificidade de cada Judoca. Não obstante, o Judo é muito mais do que um desporto; é uma filosofia de vida, é um conjunto de valores que trabalham para o crescimento interior do “eu”, aprimorando o respeito pelo próximo, independentemente das barreiras impostas.

 

Uma lenda antiga conta-nos que, num dia de inverno, durante uma forte tempestade, um médico reparou que os grossos galhos de uma árvore se quebravam com o vento e com o peso da neve, enquanto os mais finos, devido à flexibilidade, cediam, permitindo que a neve deslizasse para o solo, voltando à sua posição original. Provavelmente, o Ju-jutso (técnica de flexibilidade) teve origem nessa observação. Na época da decadência do Ju-jutso, Jigoro Kano (1860-1938), um jovem universitário de constituição franzina, sentiu-se atraído por esta técnica da flexibilidade e começou a dedicar-se ao seu estudo, sob os ensinamentos dos melhores professores de Ju-jutso da época. Jigoro Kano verificou que o Ju-jutso poderia tornar-se um excelente método de Educação Física e moral. Então, selecionou, modificou e aprimorou os diversos golpes que lhe foram ensinados, eliminando as técnicas perigosas e idealizando um novo Ju-jutso, mais completo, mais eficaz, muito mais objetivo e racional, denominado Judo e assente no código de honra dos samurais. Foi o Mestre Jigoro Kano o primeiro a comparar certos movimentos e a criar uma técnica pessoal superior a qualquer outra. Ele deu-lhe o nome de Judo: o caminho da suavidade.

 

Jigoro Kano, o fundador do Judo

 

Como tal, Judo é um termo japonês que significa “o caminho da suavidade”; este caminho deve ser interpretado como um princípio de vida. A razão pela qual Jigoro Kano adotou esta terminologia foi o facto de ser não apenas uma técnica ou uma arte (jutso) mas, antes de mais, uma doutrina (dô). No seu entender, a técnica e a arte são cultivadas, porém, a doutrina é a verdadeira essência do Judo. Jigoro Kano, o fundador do Judo, tinha o ideal de formar cidadãos responsáveis, através do treino físico e mental que o Judo promove. Esta filosofia tornou possível o estabelecimento duma camaradagem internacional entre os Judocas, bem como uma rápida expansão da modalidade. Sobretudo no Japão, o Judo é inserido no currículo escolar e um considerável número de organizações escolheram a prática do Judo com a finalidade primordial de formarem chefes responsáveis perante a sociedade.

 

Neste sentido, o novo Ju-jutso é muito mais do que uma simples reunião de golpes; é uma filosofia de vida que aposta na colaboração, na entreajuda e na partilha de momentos, experiências, conhecimentos e emoções.