As duas máximas que regem o Judo são: Seiryoku Zen’Yo (精力善用) – máxima eficiência e técnica com o mínimo esforço, na qual qualquer indivíduo, por meio das suas habilidades e técnicas, pode compensar o tamanho e força do adversário, e Jita Kyoei (自他共栄), – o princípio da prosperidade e benefícios mútuos, em que o desenvolvimento pessoal depende da ajuda do próximo e do auxílio mútuo; só assim nos tornamos seres humanos melhores e completos. Todavia, Jigoro Kano trabalhou todo um conjunto de máximas que orientavam o seu pensamento e a sua perspetiva relativamente ao Judo.

Máximas de Jigoro Kano:

  • É somente através da ajuda mútua e das concessões recíprocas que um organismo, agrupando indivíduos em número grande ou pequeno, pode encontrar a sua harmonia plena e realizar verdadeiros progressos.
  • Vencer o hábito de usar a força contra a força é uma das coisas mais difíceis do treinamento do Judo. Caso não se consiga isto, não se pode esperar progresso.
  • A simplicidade é a chave de toda a arte superior, da vida e do Judo.
  • Subtileza na técnica e finura na estética são úteis para a eficácia da arte, mas escapam a qualquer descrição.
  • A derrota na competição e no treinamento não deve ser uma fonte de desânimo ou de desespero. É sinal da necessidade de uma prática maior e de esforços redobrados.
  • Se é, por vezes, permitido ter excesso de zelo, isto sempre acaba por tornar-se uma fonte de perigo.
  • Os kata (forma) são a estética do Judo. É nos kata que está o espírito do Judo, sem o qual é impossível perceber o objetivo.
  • Será que existe um princípio que realmente se aplique a todos os casos? Sim, existe um: é o princípio da eficácia máxima na utilização do espírito e do corpo. Dei a este princípio, de uma generalidade absoluta, o nome de Judo.
  • O Judo ultrapassou o estágio primitivo da utilidade para atingir o de uma ciência e de uma arte.
  • A estabilidade (ou uma calma inabalável) é um fator importante numa luta de Judo. Seria ainda mais importante caso se tratasse de uma luta de vida ou morte.
  • A questão principal é elevar-se acima do problema da vida e da morte, da sensação de temor e de apreensão.
  • O Judo deve existir para o benefício do homem e não o homem para o Judo (competição).
  • Em qualquer espécie de treinamento, o ponto mais importante é libertar-se dos maus hábitos.
  • A ideia de considerar os outros como inimigos só pode ser loucura e fonte de regressão.
  • O Judo deve ser mantido acima de toda a escravidão artificial. As novas invenções devem tornar-se conhecimentos comuns.
  • O Judo é uma arte e uma ciência. Ele deve ser mantido acima de toda a escravidão artificial e deve ser livre de qualquer influência financeira, comercial e pessoal.
  • O valor de uma coisa depende da maneira como a abordamos mentalmente e não da coisa em si.
  • O alto valor da habilidade e da qualidade da arte só pode ser obtido elevando-se acima da dualidade da competição.
  • O Judo não deve ser revestido por um rótulo nacional, racial, político, pessoal ou sectário.
  • Quando se percebe a potência do Judo, compreende-se que não se pode usá-lo levianamente, pois ele pode ser tão perigoso quanto uma espada desembainhada.
  • O melhor uso que se pode fazer de uma espada é não utilizá-la; o pior, servir-se dela.
  • Ambição e rivalidade, cuidadosamente dosadas, são os estimulantes do progresso. Porém, em quantidade excessiva, transformam-se em venenos destrutivos.
  • À medida que se progride no estudo do Judo, o sentido de confiança em si mesmo, base do equilíbrio mental, desenvolve-se.
  • A habilidade é função de um ato inconsciente automático. O controlo consciente de todos os fatores é impossível, pois uma entrada só é possível num espaço de tempo igual ao de um raio.
  • As fontes estimulantes da ação são o instinto criador e o espírito de aventura.
  • A situação do mundo e dos assuntos humanos, atualmente, assemelham-se muito à dos principiantes sobre a esteira de Judo.
  • A saída de vida depende do jogo harmonioso dos nossos instintos.
  • Os nossos braços são ouvidos pelo deslocamento do corpo do adversário, como se dele fizesse parte.
  • Tender à perfeição é o princípio do treinamento de Judo.
  • A respeito das aparências, “eu” e “mim” são os fatores mais negligenciados no pensamento humano.
  • Cada ação do corpo é tão importante quanto um elo numa corrente.
  • Sem uma clara compreensão do sentido do movimento, não se podem esperar progressos reais.
  • O conhecimento do corpo, para ser eficaz, não é necessariamente o alto conhecimento científico do engenheiro, mas sim aquele prático do operário.
  • Devemos lembrar-nos que a essência do desporto não está na marca ou do score, mas nos esforços e na habilidade despendidos para atingi-los.
  • A maneira de treinar depende de uma ação consciente, mas o objetivo do treinamento é conseguir o domínio da técnica, o que é inconsciente.
  • A dualidade é a condição da vida. Sem opostos nem contrastes, a vida não é vida.
  • O Judo pode ser considerado como uma arte, ou uma filosofia do equilíbrio, bem como um meio para cultivar o sentido e o estado de equilíbrio.
  • O adversário é um parceiro necessário ao progresso; a vida da humanidade baseia-se neste princípio.
  • Não se envergonhe por causa de um erro; estaria cometendo uma falta. (Arpin, Livro de Judo no solo, 1971, p.21-24).

 

 

As máximas de Jigoro-Kano são um fio condutor que acompanha o Judoca no seu caminho do conhecimento; são elas que delineiam a sua conduta e que alimentam a sua flexibilidade de espírito, espelhando-se no desenvolvimento físico, na eficiência em combate e na progressão mental. Através do treino de técnicas de ataque e de defesa, os Judocas não só ganham agilidade mental e física, como adquirem, igualmente, flexibilidade de corpo e de mente.